segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A Vendedora de "Chopps"


A paisagem do litoral norte paulista se transforma no verão. Quem freqüenta as praias, como são intimamente chamadas, ao longo do ano, fica meio acabrunhado com a invasão de turistas de um dia, ambulantes, punguistas e outros seres que sempre dão as caras por lá.
A praia que começamos a tratar é um paraíso para os turistas, aquele que não deixa faltar no isopor uma farinha da família das euforbiáceas, a manihot, ou mais popularmente conhecida como mandioca, ingrediente fundamental da farofa.
No canto esquerdo temos uma ducha de água geladíssima que vem direto do morro. No canto direito brotando do meio de uma rocha, corre infinitamente uma água mineral fartamente bebida pelos habitantes da praia desde que o homem ali pisou. Para completar o cenário a praia é margeada por imensas arvores “chapéu-de-sol” que proporcionam sombra pra lá de fresca aos nossos visitantes.
É nesse clima que nossos vizinhos, um chiquérrimo casal e seus convidados, costumam aparecer no verão, ela uma socialite famosa e ele um medico descendente de família quatrocentona. Na praia embaixo de uma barraca maravilhosa repousam champagnes, espumantes, astis, cavas, etc., em baldes lotados de gelo. Até ai tudo as mil maravilhas até o dia que um ambulante tentou entrar na praia, retirando um obstáculo de concreto para passar com seu carrinho de bebidas e comidas.
Nossa querida socialite percebendo a tentativa de remoção do obstáculo incorporou-se na guardiã da praia e caminhou em direção ao invasor decidida a proteger a praia. Como o tempo andava meio chuvoso e a praia meio vazia o ambulante, que tinha todas as permissões para entrar na praia, foi levando o embate em banho-maria. Nossa guardiã procurou o presidente da associação dos moradores da praia, que se auto-intitula “Luiz Ignácio Lula da Silva”, presidente fantoche, pois quem realmente manda na praia é o ex-presidente conhecido a boca miúda por “José Dirceu”.
Famoso por atuar nos bastidores nosso Zé Dirceu tomou a dor da nossa guardiã e imediatamente colocou-a em contato com a dona do camping, cujo negocio consiste em um assentamento de barracas com a maior densidade populacional do planeta perdendo somente para o nosso sistema carcerário. Alem de um bar e restaurante praticamente à beira d’água.
Devidamente inteirada, pela nossa campista, sobre as nuancias burocráticas para o legitimo direito de atuar dos ambulantes. Nossa guardiã iniciou um duro debate com o ambulante, chegando inclusive a ser ameaçada de morte, uma vez que o tempo melhorava, o dia 31 de dezembro estava chegando, a praia já com um publico considerável e nosso ambulante sem faturar.
Neste momento o casal, de estritos relacionamentos junto à sociedade, exige e consegue ter a presença, primeiro da guarda municipal, que após ouvir as partes não conseguiu resolver a pendenga. Em seguida chegou a policia militar, que alegou que somente a prefeitura do município poderia resolver a questão. Enquanto era aguardada, pelo casal, a presença de desembargadores, promotores públicos, deputados federais, um carrinho já meio surrado com emblema da prefeitura de São Sebastião encostou junto ao obstáculo que impedia à passagem do ambulante, e dois funcionários inciaram a remoção do impedimento.
A socialite portando um vasto copo de suco de limão adocicado e inundado com a mais pura aguardente Velho Barreiro, num lampejo se ajoelhou e agarrou o poste, aos berros e arfando palavras de ordem, impedindo a remoção do mesmo. Os funcionários informaram aos companheiros da nossa guardiã que iriam continuar o trabalho mesmo com ela entrelaçada ao poste. Em segundos a nossa lutadora foi se aninhando aos braços de seus pares e num outro lampejo se desvencilhou dos companheiros e caminhou completamente ereta, copo de cana em riste, bradando que a luta não havia acabado.
Passados alguns dias, quando tudo parecia calmo com nossos visinhos eis que uma bola de frescobol, ou melhor, de jogo de raquetinha (não sei qual dos termos é mais boiola!), sapeca a testa da nossa guardiã. Toda a frustração do embate anterior sobe à cabeça e sem mais nem mesmo, nossa socialite inicia um discurso sobre a proibição do frescobol nas praias paulistanas, os jogadores incrédulos, não deram a mínima atenção, quando nossa guardiã, que não está em boa forma física, inicia impropérios sobre a possível obesidade da jogadora. Por sorte a turma do “deixa disso” contornou a situação.
Dia 11 de janeiro meu ultimo dia de férias, aquele nó no peito já antevendo a maratona de voltar ao trabalho, eis que vejo a cena mais surreal, e inimaginável, que poderia ocorrer na nossa praia. Nossa socialite, guardiã da praia e seu marido, medico de família quatrocentona, portando um carrinho de chopp Brahma, vendendo aos turistas de um dia à R$ 5,00 um choppinho até que bem geladinho. Ao passarem por nos ela nos dá aquela piscadela e emenda –“Vamos quebrar a concorrência!”. Com muita delicadeza pergunto a ela se a licença para venda de chopp está em dia, e ela com a voz meio embaçada diz que a Brahma esta por trás do empreendimento, que com certeza deu mais um prejuízo ao casal, pois para cada chopp vendido uns três eram consumidos pelos guardiões.Até que para ultimo dia de ferias beber um chopinho bem gelado sob o sol que demorou a se firmar foi muito refrescante.

6 comentários:

Alev disse...

Sensacional a descrição da parábola! Porem, tem continuação, parece que houve um tumulto na última 2a feira, mas deixo para o nosso nobre blogueiro deslizar suas palavras nesse semanário eletrônico.

Tá Bem Bom disse...

Os ventos que sopram do litoral nos informam que nossos guardiões ao tentarem defender nosso pedaço de areia da invasão de uma matilha de cães portados por “pit” banhistas sofreram um ataque inesperado. Nosso incauto medico sofreu um knock down depois de receber um cruzado direto desferido pelo responsável pela matilha. Até o fechamento deste “coment” os envolvidos ainda prestavam depoimento em delegacia próxima.

Luli Levorin disse...

Pai,
acho melhor voce tira a postagem

Luli Levorin disse...

Pai,
pelo oque eu me lembre voce acabou as suas ferias dia 11 de janeiro e nao de dezembro, e vizinho eh com Z e nao com S prete atençao.. Brahma e nao Brama . se liga maluco.

Beijoos




Luuli

Anônimo disse...

Muita anfetamina na cabeça desta "senhoura"

ILHA CHOPP disse...

Acho uma vergonha pois ,o verão é esperado por milhares de vendedores ambulantes que nessa época conseguem com esse extra pagar um pouco mais traquilo as contas e essas grandes empresas monopolizão a venda de produtos desse tipo onde os clientes não tem alternativa,e pagam bem caro por produtos as vezes nem tão bom quanto a outro que tem até um preço até melhor mas que não podem exercer o mesmo tipo de comercio ,pois essas grandes empresas monopolizão atraves de propinas ,e extorsões nas autoridades que fiscalizam as vendas nas praias ,assim somente lucrando as grandes companias ,em dinheiro especie,e hoiots bde posicionamento de marcas