domingo, 26 de outubro de 2008

Coentro, amor ou ódio....


Há mais de três mil anos entre nós o coentro, principalmente as folhas, é motivo de calorosos debates entre pessoas que o adoram e principalmente as que não o suportam. Na minha adolescência tive os meus primeiros contatos com o dito cujo, nas inesquecíveis viagens para o nordeste. Assim que parávamos para comer, vinha àquela comida chapada de coentro fresco por cima, era de matar, o coentro dominava todo o sabor.

Gostar de coentro é um aprendizado que dificilmente você gosta de cara, e se experimentar ele cru, aí sim é ódio na certa. O ideal é iniciar a degustação com o coentro sendo adicionado no inicio da preparação do prato, ou seja, no refogado, isso mesmo, junto com o azeite a cebola, o alho e ele o nosso velho e conhecido Coriandrum sativum. Para os adiantados podemos utilizar no meio de um ensopado, por exemplo, em uma moqueca onde ele é adicionado no meio do cozimento, em ramos, para antes de servir retira-los. Estas técnicas inserem o coentro como um coadjuvante entre os sabores, conferindo um resultado final especial.

Para os fanáticos não tem jeito, tem que adicioná-lo in natura. Costumo fazer um molho para feijoada com azeite, limão, pimenta socada, salsinha e coentro bem batidos, para adicionar naquele feijão gorduroso. Alem de realçar (ou estragar, para os puritanos) o sabor, o coentro da uma mãozinha para sistema digestivo.

Uma surpresa muito interessante foi adicioná-lo em uma receita de alcachofra que deixo logo abaixo. Antes era feita só com salsinha porem o incremento do coentro deu uma nova vida ao sabor marcante da alcachofra. Segue também um Lambe-lambe de vongole que sem o coentro não tem a mínima graça, aqui também o ardume natural deste pequeno marisco se une ao incrível perfume da erva que já foi utilizada como afrodisíaco na idade media.

Só para deixar bem claro, estas receitas são servidas em casa desde que me conheço por gente, sempre em ocasiões especiais. Um detalhe destes pratos é que é degustado com as mãos, o que confere uma dupla emoção o da sensação do tato e a do palato. Um bom pano de prato ou guardanapo de proporções adequadas pode contribuir para a limpeza das mãos para os não iniciados. Comer com as mão é muito bom! Neste dia fizemos um jantar em família sem talheres, com comidinhas para serem colhidas com as mãos que alem de muito divertido acabam criando um vinculo, uma cumplicidade entre os comensais.

Alcachofra ao “profumo” de coentro


4 alcachofras
½ xícara de chá de salsinha batida.
1 xícara de chá de folhas de coentro batida.
½ xícara de chá de pecorino romano ralado bem fino.
5 dentes de alho bem picados.
Azeite.
Sal.
Pimenta do reino moída na hora.

Misturar a salsinha, o coentro o alho e o azeite até formar uma pasta.
Cortar o talo do fundo e as pontas da alcachofra e desgrudar levemente as folhas.
Com os dedos enfiar a pasta nas cavidades das folhas.
Colocar as alcachofras recheadas em uma caçarola, salgar, adicionar a pimenta do reino moída na hora e uma regada de azeite sobre o miolo de cada uma.
Completar com água até quase cobri-las. Colocar em fogo médio até que água seque.
Para servir colocá-las individualmente em cada prato e regar com os resíduos do cozimento. Acompanha um vinho branco de preferência um Sauvigon Blanc.

Lambe-lambe de vongole


1 kg de vongole vivo
3 tomates maduros sem pele sem semente picada em cubos
1 cebola media bem picada
1 dente de alho picado
1 copo de vinho branco (na foto usei saque, ficou ótimo)
½ xícara de coentro batido
½ xícara de salsinha batida
Azeite
Sal (opcional)

Lavar muito bem os vongoles na casca, e deixá-los em água corrente por uns 10 minutos para terminar a limpeza e retirar eventual areia.
Em uma caçarola refogar em azeite a cebola e o alho adicionar os vongoles e abafar por uns 3 minutos, adicionar o vinho branco, o tomate, o coentro e a salsinha. Aumentar o fogo ao Maximo e cozinhar destampado por uns 5 minutos, mexer bem e servir imediatamente. O mesmo vinho é bem vindo.

10 comentários:

Daniel disse...

Leleo,
Voce esta ficando famoso ate aqui nos Estados Unidos.
Todos elogiam a qualidade do site.
Abraco,

Anônimo disse...

Eu odeio coentro e estamos conversados.
Abraço
Beto

Anônimo disse...

Aliás, tenho uma sugestão:
Monte uma enquete pra saber quem gosta de coentro.
Sds
Beto

Marcia disse...

Como canta Gal Costa. . . o que eu gosto mesmo, é de comer com coentro.
Até no feijão ele fica bom. E aquela saladinha chilena de tomate sem casca, picadinha com muito coentro... hum!!!
Boa semana.

Alev disse...

Para quem gosta, experimente a comida mexicana, que tem o coentro como base. Muito bom!
Ale

Francisco Castro disse...

Olá, gostei muito do seu blog. Ele é muito bom.

Parabéns!

Um abraço

Edu Dieb disse...

Oi Leo.
Realmente no Nordeste o coentro é uma constante. Na cas dos meus tios até o arroz ganha umas folhinhas na hora de servir.
Mas não abro mão do coentro quando chega a hora de mergulhar um pão árabe bem macio na tigela com homus, no pote de coalhada seca ou, é claro, no tabule. Tudo regado com muito azeite.
Inté
Edu Dieb

Anônimo disse...

na comida cambodjana o coentro fresco cobre quase por inteiro os pratos de noodles fritos ou ensopados.

Eu nao amo nem odeio, mas acho que como consigo comer no cambodjano meu nivel ja esta bem alto.

hahahahha

Kuruhma SAN

Anônimo disse...

Leo,
Em casa a gente faz comida da Indonésia, pois minha mãe nasceu lá, mas usamos seco (2 partes socadas) para cominho (1 parte socada), aí vai no fogo com azeite e isso faz a base dos refogados todos. O perfume é incrível e ele não fica tão marcante como crú. Parabens pelo blog, adoro, leio sempre!
Abração
Henriette

Valentina disse...

Olha, que delícia as duas receitas. confesso que nao sei dizer qual mais gostamos aqui no Colher. super value a participação.